quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Vida e Pais



     Dois personagens, um de idade “normalmente” à metade do outro. Os dois jogam um jogo, um domínio por um objeto. Só que um tem mais domínio físico do que o outro. Já o outro tem mais o domínio “ideológico” do que o primeiro. E assim eles viviam; brigando pelo fazer e fazeres do objeto.
     O objeto? Corpo. Sim um jovem corpo capaz de fazer tudo o que ele lhe fora mandado a fazer. Porem vivia em discórdia ao ver dois seres tentando comandá-lo de formas distintas, e o deixando confuso. Assim é a vida de todo “corpo filho”, tendo como controle as vontades físicas do filho e as exigências turvas do pai.
     Não mudando o sexo dos pais: Mãe ou Pai. E não mudando o sexo do filho: Filha ou Filho. Sempre percorremos a nossa história nesse deleito em que um quer mandar na vida do outro, e o outro tendo mais controle, quer mandar na sua própria vida. Quem sofre no final?
     O corpo, lógico. Cheio de marcas e putrefações, dentro ou fora. Na maioria das vezes dentro. De tanto que manda e desmanda, tira e põem, faz e não faz. Isso vai matando o corpo, isso vai desarticulando. E fazendo de minha teoria cada vez mais a verdade.
     Porque embarcar nessas posições, sendo que eu como eu mesmo, atuo em uma: Tendo minha opinião em defesa do filho. Sempre terei essa visão até ser pai, dizendo hoje, que sofro redomas e fardos inexpressíveis de dor, ao me digladiar com alguém que deveria se mais do que mais meu amigo, meu pai.
     Porem quanto mais eu brigo e mais tenho desavenças com meus familiares. Mais quero tomar a posição de filho que tenho hoje. Por causa dessas picuinhas, dessas armadilhas esdrúxulas para me tirar o humor todos os dias, após o expediente do dito fardo. Vejo que quando eu tiver meu filho, mais e mais vou respeitá-lo; respeitar seu espaço, suas necessidades, seus desejos.
     Formando para ele só o verdadeiro conselho do que deve ou não fazer, e suas conseqüências. Para assim ele tomar suas decisões sem ter dúvidas, e sem ter medo. Sem “querer” ver ele vá se arrepender, e sem dar palpites, para assim não forçá-lo a arrepender. E viver feliz, sem indagar e nem (diferente do que meus pais) o perder, na vida.

domingo, 3 de janeiro de 2010

O Atravessar de Carina



     Carina era jovem. Sua pele cereja refletia o humor e o amor de ser jovem. Vinte e dois anos era o que a tornava tão feliz, pós refugiada dos pais. Carina agora estava feliz sozinha no seu apartamento com mofo nas quinas das paredes, pintura amarela amarelada, e partes fixas do prédio de madeira ocas de cupins. Mas o mais importante estava dentro dela, e fora: A liberdade de ter refugiado dos vãos que os pais recém mortos pela idade a traria.
     Agora nada poderia influir mais na sua vida, alem dela mesma, e de tudo que ela arranjaria como conseqüência. Carina sempre soube enfrentar os problemas que adquiria. Era o mais fácil para ela. Pois normalmente; seus pais que traziam para ela os problemas, e isso a transtornava. Isso que era o peso em suas sandálias rasteiras, na vida toda. E ela sentia isso, pelo menos até ter se libertado.
     E ela estava sentindo o Sol, na porta de seu apartamento, no bairro em que morara, – o mais badalado da cidade – e agora ela podia sair, podia voltar, podia nem mais dormir no mesmo lugar. Só de poder, já a deixava invejada de ser assim. Mas não, ela queria ficar por lá, na frente de seu prédio azulejado pela metade, para poder sentir os elementos que fariam de sua companhia, matinais nos seguintes dias de sua história.
     Era sábado, e era o primeiro pós mudanças. E Carina agora não queria sair, nem festejar, ela só queria fazer algo de bem, para ela ou para o novo lar. Era só isso que ela queria. Ela abriu os olhos, castanhos chocolates banho-maria. E no desfoque da pupila na visão, permitiu que ela visse um senhor do outro lado da avenida.
     Era Júlio, e ela já havia cruzado com ele durante o descarregar do caminhão de mudanças uma vez. Ele era charmoso, andava sempre bem vestido, estilo retro – de terno e blazer, com um chapéu americano sempre às mãos. – Era alto, cabelo castanho corte surfista, tinha a posição da coluna perfeitamente posta, como se ele fosse um cavalheiro, como se ele pudesse enxergar.
     Sim, Júlio era cego, e ela mal percebeu isso. – Se sua vizinha não tivesse comentado, ela nunca saberia. – Seus olhos, justos nos lugares e também amendoados, não possuíam defeitos algum! Eram perfeitos e nem dançavam igual de quem não pode ver. Eles apenas eram vagos, e seguiam apenas o tropeçar dos sons: da rua, das vozes, da música.
     Carina se sentira tão feliz, e tão atraída pela asserção do destino quanto aquela situação. Que resolvera fazer-lhe uma surpresa. Carina sempre fazia surpresa para marcar a primeira impressão com a pessoa. Então ela atravessou a avenida, girou levemente no poste que a dava como obstáculo, e o abordou pelas costas segurando seu braço – feito bailes de época – e disse:
     -Olá, meu nome é Carina. E o seu?
     Ele surpreso com a situação, resistiu por um tempo, depois vendo logo o objetivo de ajuda da moça, a cumprimentou:
     -Júlio. Não precisa...
     -Ora, estou de folga, hoje é sábado. Dia das pessoas felizes! – Ela o interrompeu.
     Em quanto ela – no comando – esperava o sinal fechar, logo o perguntou, tagarelando:
     -E o senhor, é feliz? Hoje, pelo menos?
     -Sim, eu acho...
     O sinal abriu.
     -Então merece um passeio!
     Carina começou a dar largos passos, em sentidos invertidos e logo quebrou a concentração de Júlio, e ela começou a puxá-lo de um jeito em que ele não poderia contar os passos, e perdendo o mapa mental de onde estava, hesitou em confiá-la à direção do trajeto. – Pois ele só queria chegar em casa, à salvo.
     Ela vendo que ele deixará a tenção de lado, e relaxando os músculos começou a fazer algo em que não havia como pará-la.
     -Veja senhor Júlio, uma loja que nunca vira! Sou nova aqui sabe!? Um vestido lindo em sua vitrine! Nossa mais como é caro! Levaria meu salário inteiro para pagar tal tecido! E olhe que carro mais lindo! É aquele da propaganda em que a mulher deixa o homem para agarrar as chaves! Como se ele não existisse! Olha só ele é prata! Deve de ter ar condicionado e tudo!
     Carina e Júlio, numa dança incessante, girando na urbanidade da vida, ele sentia uma sensação nova. Era mágico aquilo, ele escutava a voz doce dela. E ela via os olhos belos dele. Ele como se nunca tivesse falado, e ela como se nunca tivesse visto. Trocaram naquele momento de descrição da cidade, os sentidos. Ela não podia mais enxergar, de tal beleza que o moço era. E ele não podia mais ouvir, de tal doçura que a voz dela era.
     -...ouça a música senhor Júlio, é Beirut! Chama-se St. Apollonia, ela é linda não é!?
     -Certamente senh...
     -Sim eu adoro Beirut! É tão vivo! Veja agora! A Dona Aubuquerque! Ela me ajudou na mudança, logo ela vai estar espalhando por ai que eu estou namorando o senhor! Hahaha... Como ela vai espalhar isso!? Rapidinho, tenho certeza! Nossa o senhor pode sentir o perfume!? São rosas ou jasmim!?
     -Jasm...
     -Rosas! Tenho certeza! Minha mãe usava um desses, é daquela jovem moça, que se veste de vestido azul marinho todo chapuscado! Dando efeito de ondas e fazendo ela flutuar em quanto anda. Olha senhor Júlio é a o seu apartamento! Chegamos!!! Eu o deixo aqui. Foi um prezer te conhecer, nos vemos recentemente! Tial!!
     Ela o deixou na porta de seu apartamento, com as chaves nas mãos. Júlio parou para respirar. Ele tinha certeza que estava branco, apesar de não ver isso. Ela o fez ver, com os ouvidos, tudo e todos que estavam por perto. Foi mágico, foi lindo e foi rápido! Ele não podia acreditar em tal acontecimento! Foi a chave do despertar para Júlio! Ele estava sob palpitações. Seu coração desparava inconstantemente desrregulado!
     Do outro lado do quarteirão, dançava uma jovem feliz, rindo de si mesma. Sentia o ar mais leve, a briza mais fresca, os murmúrios mais suaves. Ela estava alem da felicidade, com sigo mesma; amando, como se nunca tivesse amado. Agora ela sabia o que faria da sua nova vida, e ainda mais! Sabia o que faria nos sábados livres e solitários. Visitaria o senhor Júlio, sua mais nova companhia, naquele bairro badalado.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Escrever o Escrever



     Tudo para dar um texto, vale matar a mãe, vale matar amigos... mas agente nunca faz isso. Não de um jeito que eles saibam. Por isso o uso de metáforas! Sim o maior recurso lingüístico usado pelos amantes de crônicas e dos contos. Saltar duas linhas, uma para o título, outra para o vão. Depois dar o espaço na terceira linha para o inicio do parágrafo – dois dedos no mínimo – e pronto, já pode despejar todos os sentimentos, detalhes e dobras das palavras, porque elas dançam como goma de mascar na maquina de fazer, só para dizer o que tem que ser dito!
     Pronto, fora o primeiro para a introdução. A Marilene me disse que esse era o primeiro o mais importante, o instigar da imaginação e da curiosidade. E que entre eles (os parágrafos) a conexão devia ser estabelecida, com harmonia, sintonia, e abordagem de assuntos para a melhor valorização do texto, ou dos detalhes. Mas tudo com muito cuidado! O parágrafo frasal, era para a Marilene o derramar do café da manha sobre a toalha branquinha de sua mesa matinal. Era sim, imperdoável.
     Tudo pronto agora estava na hora de finalizar, com muita ternura, muitos elementos. Sem passar do numero respectivo de linhas semelhantes do primeiro e segundo parágrafo. Para não ficar feio, e nem desesperado. Agora era a hora de emocionar Marilene - nossa professora de português e de redação – aquela que muitos alunos odiavam pelo “militarismo” em sala de aula, e que muitos outros a amavam pela elegância e pela delicadeza que ela tratava seus alunos prelúdios da arte do escrever. Sim, agora estava na hora de por fim tudo aquilo que a faria emocionar e a fazer-fazer me animar a continuar escrevendo! Sim, saudades tenho, de Marilene.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Vento, Chama e Fumaça



     Eu poderia morrer agora, sim, como eu poderia. Tarde fresca, pós várias rajadas de chuva. E eu estou escorado na grade, ouvindo o som da cafeteira rosnar feito meus desejos após filtrar a ultima gota da água no café. Sim eu estou de férias, e não me culpo por isso. O vento bate, se enroscando nos meus pequenos cachos. E o meu cigarro já está aceso. Sim todos os meus sonhos já estão próximos: Vento, chama e fumaça.
     De fundo uma musica longe no meu quarto soa, nas minúsculas caixas de som embutida na tela pequena de LCD do meu quarto, do meu computador, leviano. Sim musica alternativa, vozes e gritos de guitarra que não ouso entender o sentido, só posso julgar o prazer. Tudo que é alternativo, só me traz prazer. E é exatamente o que procuro nas minhas tardes; Nesta tarde, na minha vida.
     Prazer! Sim, qual mortal que não procura prazer na sua vida!? Eis ele me julgue, pois se for mortal, e realmente não buscar prazer na vida, tudo bem, logo eu não sou mortal. Sim, se existir tal profecia, eu posso nunca ter sido mortal. Daí serei eterno, e como eu queria ser eterno! Para fazer de todos os meus investimentos: cigarros e café. Pois o vento eu sei que sempre terei, só iria me faltar fumaça, que logo com a combustão eu conseguiria.
     Combustão: Queimar todos os meus conflitos e problemas na ponta de um cilindro de papel, fazer de todos os meus delitos e más vontades o impulso para trazer o ar puro e perfeito para dentro, torná-los fumaça, respirar tudo. Tudo queimado... Sim... Sim!!! É a tragada perfeita, sim... Eu consegui, estou no meio do meu Luck Strike. E nada pode me ferir agora.
     Pode vir um tiro na minha cabeça, posso tomar uma facada nas costas. Nada vai tirar esse êxtase que agora sobe de elevador no meu cérebro! Nada! Nem Deus, nem o Diabo! Tudo agora está condensado, tudo agora está trajado e centralizado dentro do meu ser: Vento, chama e fumaça.
     Eu sou capaz agora de voar, arrepiar meu pelos, fazer deles asas e chegar aos céus como se não houvesse terra, como se nunca mais eu pudesse tocar ao solo. Sim! Eu posso, eu posso tudo baby! E tudo me pode agora, qualquer pedido, qualquer chantagem eu poderia aceitar agora em troca. Sim, eu aceitaria como aceito a troca de minha mortalidade por algumas tragadas no Luck Strike. Sim, ele sabe como é o nosso contrato... E ele o honra, como eu o honro quando eu ponho o isqueiro para acende-lo.
     É... agora abro os olhos e vejo o quanto a viajem foi longa, quanto eu agora estou cansado, e o quanto meu café está pronto para eu tomá-lo. É... agora todo o conformismo me contempla, e todos os problemas voltam para mim. E eu volto a ser o que todos querem, e vejo a platéia me pedir desculpa, por deixar eu ter prazer assim, como sempre. Olho para traz, sirvo o meu café, e volto a acender outro cigarro.
     Sim, a viajem não pode parar...

sábado, 26 de dezembro de 2009

Injetar



     Não era só mais uma injeção, não podia ser guardada em uma seringa descartável. Não era mais um tempo perdido, todo o suspiro faria aquilo verdadeiro... Talvez. Ninguém sabe até hoje como a inspiração é movida, sonhos, música, amor. Ninguém sabe o que se resulta o caos, o abandono, a saudade. Talvez se pudéssemos olhar pra traz, e ver qual foi os atos que levaram a tais conseqüências.
     Sim, era assim que esse composto era composto. Uma dose densa, quase leitosa, para quando penetrasse na pele, fizesse quem for sentir os cristais rasgarem dentro do ser, e o fizesse sentir o que realmente ela traria depois. Porque é assim que ela quer que você a encontre. Para chegar ao conforto, é preciso pisar nas pedras. Só o processo de ser, já deixa a pessoa estar, vivendo aquilo que ela quer viver.
     Não, não encontraria isso ano que vem, eu sabia disso. Eu já desisti, e não posso encontrar mais. Pois toda vez que quero encontrar essa dose, tenho que por meu pescoço à venda. E me arriscar. Não eu não arriscaria de novo. Porem, era a ultima esperança. Seria assim, eu, sendo eu mesmo. Sem trocas, sem remanejamento. Jogar o jogo da vida com o mesmo time. Talvez só na variação da sorte me traria à vitória.
     Pois é assim que nós nos vemos todos os finais de ano, remanejando estratégias, falsas estratégias. Re-configurando os erros, fingindo não querer fazê-los no próximo ano. Sim todos nós somos tolos, para não querer errar de novo, e saber que vamos errar de novo.
     Não, eu agora estava diferente, estava pensando só no final, nos objetivos. Agora eu não me arriscaria, arrisquei todos os anos, e em todos os anos não encontrei. Porque me arriscar agora? Não, não seria justo, como comer colheradas de lentilha todos os anos, desejando uma só coisa, e todo fim do próprio ano ter indigestão de ter comido a do ano passado.
     Isso não ira se repetir ano que vem, eu seria natural – naturalmente – e viveria tudo aquilo como se já tivesse vivido, em um sonho, em uma previsão de tarô... Talvez. Mas aquela expectativa morreria em mim, esse ano. E eu sentiria aquela ultima fisgada da seringa que era meu remédio de todos os outros anos anteriores. Injetar e “desinjetar”. Logo largaria o vício. Largaria ela, como se eu não importassem com o que viesse depois, se eu perdesse algo, seria lucro, às cegas.
     O que tinha dentro daquilo em que me vacino todo fim de ano? Uma dose única, e anual do que me faz valer a pena arriscar todos os anos, de passar a fio, à risca. Uma dose caríssima. Mais valiosa que adrenalina, que hormônios e qualquer coisa que o corpo possa fabricar. Mais valiosa; E de tão valiosa perdi o gosto de injetá-la e certamente eu não teria motivos para tê-la dentro de mim no próximo ano.
     “Não, nunca mais eu iria para a farmácia comprar uma dose de alívio.”
     Sim, Injetar e "desinjetar" - literalmente.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

S.O.S.



     Ok, nada disso está certo... más... será só mais um dos temporários vínculos que encontramos na vida da gente. Vínculos que parecem ser... eternos. E que podem assustar qualquer um que seja esperançoso, que crie expectativa, ou que simplesmente seja novo demais. Sim, eu estou falando de um vínculo que todo coração passa. Um período, uma transição... que pode durar a vida toda.
     Certo, está certo. Eu sei que estou extirpando, criando só mais uma teoria. Mas, do que seria as nossas vidas se não fossem essas teorias. O próprio amor, é uma das teorias mais praticadas, e que até hoje, não deixa de ser teoria. Sim! O amor! Como próprio o nome diz, pode ser posto diversas vezes no papel, e de diversas formas e tamanho. Sem alcançar uma medida se quer, de sua própria dimensão.
     Daí você, se existir, pense comigo: Qual é a sua dimensão? Qual a dimensão que você da para o seu amor? E qual é a prioridade e critérios para essas dimensões?
     Essas perguntas cintilam entre as paredes do meu ser, em ver todos os outros seres se amando: amigos e inimigos, conhecidos e desconhecidos. Seria mais uma das minhas maldições? Na qual eu carrego pelo simples prazer de tê-la em companhia?
     Eu não sei, só sei que eu posso ver pessoas que sabem o tamanho das dimensões do seu amor, e encontrando outros com as mesmas dimensões. Sim, eu sei que elas brigam: Todos os mortais brigam! Só que é como se quando esses mesmos brigassem, fosse quando suas respectivas dimensões alterassem de tamanho, daí fosse preciso encontrar outro amor, com as dimensões do teu próprio amor atual. Ou ceder, e forçar o seu amor a ter a dimensão do amor em que você está brigando, fazer isso... por amor.
     Sim! Sim! Eu sei! Todos encontram outro amor, e tem como tem gente que encontra! Só que... que... parece, não sei vocês. Mas parece que existem pessoas que tem dimensões imensuráveis, e de tal forma e peso que não dá para tê-los em mãos, nem guardá-los de forma segura. É como se o tamanho fosse maior que a própria Terra, ou quando você visse essa pessoa, ela estivesse ocupando um espaço maior que o corpo dela permite-se ocupar.
     È como se o peso desse amor dessa pessoa, fosse muito leve. Leve de um jeito de fazer faltar o ar que a rodeia em raio, e fazer com que sua respiração requeira mais ar. Palpitações... Como se ela fizesse de sua gravidade uma cegueira dos próprios olhos não saberem que são cegos.
     E é isso que me concluí. Eu: Ser um ser que não sabe a cegueira em que me cego.
     Tornar o ar de quem quer respirar, irrespirável perto de mim. E torná-los longes, e distantes. De uma forma que na multidão, reste apenas um anel em torno do meu centro.
     Eu. Que torno tudo mais frágil, e que procura pessoas que fazem do mesmo ar irrespirável, da mesma gravidade “impesável”, do mesmo amor imensurável.

domingo, 13 de dezembro de 2009

A Agulha e o Caio



     Era uma agulha, e era um palheiro. E era Caio, em frente a este dilema, este enigma. Ele estava na porta do paiol, e acredite se quiser como ele mesmo não acreditava: Havia muitas palhas! Ele estava disposto a enfrentar toda aquela grandeza para achar a agulha. Pois ele sabia, e via que todos achavam suas agulhas. Então ele se perguntava:
     -Porque eu também não acharia?
     Ele era virtuoso, e sempre pensava em tudo com muita esperança, sempre muito caloroso. Ele já era menino, e sabia o que estava fazendo, pois ele já era menino. E meninos quando sabem que são meninos fazem de tudo, para saber o que esta fazendo, para assim fazer e se tornar homem. Homens que depois de feito o que estes saberiam o que estivessem sendo feito, poderiam morrer, de tanto orgulho e felicidade por ter feito o que era determinado por eles, determinado pelos sonhos, dos meninos.
     E assim Caio partiu para o paiol na manhã seguinte para cumprir seu desejo, seu sonho de encontrar a agulha, no palheiro. Ele adentrou bem cedinho, retirou o cadeado do paiol junto das correntes que os prendiam e trancava antes do celeiro. O sol mal podia ser visto, e Caio podia enxergar com olhos matinais de um menino que acabara de tomar seu café com ovos mexidos, do fogão à lenha.
     Logo estava no meio do paiol, e era imensamente grande. Sua família sempre precavida de ração, o mantivera sempre abastecido com seu milho, para as estações do inverno que aproximava. E lá, no auge do abastecimento, estava Caio em busca da agulha perdida, ou nunca encontrada. Ele revirava, separava a palha em cestos, lançava as demais para perto da porta, para não procurar aonde já fora ido. Logo atingia o meio dia, e Caio ainda não encontrou sua agulha.
     Ele nem imaginava como ela era, só sabia que ela teria um corpo, uma dobra aberta na cabeça para passar a linha, e na ponta uma ponta para perfurar os demais objetos. Caio sabia como era uma agulha, apesar de não saber exatamente como era a sua, propriamente dita, a que ele estava procurando. Caio logo foi arrastado para o fim da tarde, e não a encontrava.
     A lareira de sua casa já havia se acendido por sua mãe, seu pai já estava jantando, e Caio estava ajoelhado no paiol. Com os olhos tristes, e sua visão apoiada ao chão de madeira em tábuas. Caio estava perdendo as esperanças. Agora a dor era maior, e parecia que ele estava procurando uma palha no agulheiro. Como se todo aquele cenário amarelo avermelhado do paiol no crepúsculo da tarde, o machucasse em alfinetadas.
     Caio desceu do paiol, queria agora tomar um banho, para se lamentar de não ter encontrado a sua agulha. Sua casa era simples, e ele estava esperando sua mãe esquentar a água do banho em que ia tomar. Jantou, tomou seu banho, vestiu seu pijama de algodão batido. E com uma lamparina de querosene fora para seu quarto, repousar nitidamente naquela noite estrelada do fim de outono.
     Ele abriu a porta de madeira rústica e pesada, fazia ela muito barulho. Ele a empurrou com força. Observou seu quarto, com suas paredes rebocadas a barro do rio. Ele tirou seu chinelo de dedo. E sentou na sua cama, de costume bem devagar. Sentindo seu colchão velho, forjado e recheado de palhas que seu pai o fez para ele. Caio sentiu um enorme desgosto, lembrou de toda aquela tarde vazia perseguindo sua agulha furtiva. Sem esperança Caio se jogou no resto do resto do seu corpo no colchão.
     Foi quando Caio sentiu uma pontada nas costas, como ferrão de abelha nervosa ao proteger sua colméia. Ele abriu um largo sorriso, com os olhos cerrados. Caio sabia que nunca tinha visto, porem sabia que ela existia. E que ela estava agora, fincada nas tuas costas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ponto de Visão



     Brincar com o tempo. Tornar todos os humanos em simples peças, de um simples jogo. Fazer metáforas de objetos de desejo. Torná-los próximos a quem se quer e quer tê-lo próximo. Fazer da dimensão do teu desejo, a própria distancia. Tornar a história o eixo. E fazer dela, a mãe de toda a trama. Torná-la inviolável, e mudar todo o contraste dos enredos. Fazer da hesitação, o lucro! E do lucro, o orgulho.
     Fazer de todo esse poder, o da manipulação do tempo, algo desconhecido para você. Viver com você, como se eu fosse um mero mortal. E ouvir você dizer que o tempo em que não tens para mim, é fato da sua dispersão. Tola quando não vê que o que não tens, eu posso conseguir no ato do estalar dos dedos. Tornar os dedos, frisantes ao espaço em que eu vou poder consertar tudo aquilo em que não estiver bom. E torná-lo aceitável.
     Daí nasce na concepção desse espaço uma linha, que nos divide. Como páginas, de um livro: eu o prólogo, e você o epílogo. Afim de torcer o livro em várias posições, ambas páginas nunca vão se encontrar. E ambas idéias nunca vão comunicar-se. E manteremos nossa mesma visão do mundo, eu controlando o tempo. E você o espaço. Teremos do nosso dom, uma perca, que poderá nos trazer o caos. E nos fazer de sã, loucos iminentes!
     Como trocar de hábito? Como trazer o tempo na raiz próxima de poder recomeçar? Como achar tua mão leve em toque para assim dela, a partir dela, traçar uma nova história para corrigir os erros?
     Sim, não me culpes. Eu tentei voltar o máximo que pude para te encontrar em tal vínculo. Porem não tivemos brecha, um segundo se quer para os nosso sentimentos. Depois de todos os tempos vividos, percebi que todos eles não me faziam encontrar qualquer pista que me levasse a uma rota para você. Todas as tentativas apenas eram distâncias variadas entre o meu e teu mundo.
     O mais próximo que tive, eu investi. Tentei perfurar, obstruir. Porem nem se quer arranhei a superfície. Eu apena a tinha em vista, e ela era de cor transparente. Perfeita em plano, e em dimensão. Parecia um espelho, aonde só cabia a altura e a largura de nossos corpos. O seu e o meu. Aonde e só aonde eu poderia te ver, no mais próximo ponto de toque. Sem toque...
     Mas chamar de espelho era elogio. Um espelho seria muito mais egoísta, seria muito mais cômodo. Me traria a sensação na qual tenho todos os dias ao acordar. Um espelho não me faria apaixonar pela imagem, sabendo que seu objeto já é conhecido pelo tal tempo de vida. Mas era pior, bem pior. Era um vidro, como ele mesmo poderia ser. Feito de areia para desabar e mover todo o meu sonho para traz, e voltar no tempo.
     Era a faísca da nossa explosão. Era em tudo sobre tudo, a única oportunidade de nos vermos. Durante toda a nossa caminhada era, vivida, era a única parte em que nossos olhos se cruzaram realmente. E isso me faria infeliz o resto de minha vida. Eu estaria agora diante de várias distancias de você. Sempre sabendo que nunca estaria ao toque teu. E que sempre que eu quisesse eu poderia voltar apenas aquela medida mínima, entre eu e você. Voltando no tempo, para ali estar tudo de novo. Como se aquilo fosse a porta que nos separássemos. Como se voltar para aquilo, trouxesse todo o meu sofrimento. Só de voltar no tempo para você, sem você, sempre... Aquilo seria agora a camada das nossas relações... Aquilo seria a primeira impressão. E ela ficaria, para sempre!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Chuva Chuveiro



     Toda farsa é flora, todo sonho é farsa quando você me vê. Todo tempo é lento, todo mundo é tento de tentar te ter. Quando a chuva cai, e em ti distrai todo meu pensamento no banho. É que vejo o quanto o chuveiro joga o que o mundo joga em mim.
     Se eu não te conhecesse tudo o que viesse seria de marfim. Eu te julgaria de todas as formas, e em farpas amarraria tua foto em praça. Mas quando eu te vejo, tudo roda em remanejo, só pra me machucar afinco. Se eu não te tenho, já estou em teto de ser aquilo que sonho em ter. Você, eu, e tudo o que o sonho quer ser. Porque se sonhos não fossem sonhados, seriam já realidades. E se o que fosse real não for sonhado, já os próprios sonhos não poderiam existir.
     Porque assim que é a minha vida, sonhar em realizar o que ainda não sonhei. Chover no teto de uma casa, cujo o banho é uma farsa para quem está a tomar; O banho. Porque assim que eu quero morrer, sem te ter, te tendo. Como uma esperança, uma doce criança diante de um doce. Em uma fotografia, onde a câmera é o objeto que a fotografa no espelho de seu ser.
     Porque se não for assim, não quero viver. E se for diferentemente, quero estar contente, e você já não vai existir. Porque se você sumir, será pra mim um seqüestro. E tudo o que for resto, será detalhe para mim. E se tocar o sino, quero de sino ser surdo para poder em turvo escutar só tua voz. No meio da gritaria, toda infantaria de uma multidão me faria perto de ti uma canção.
     Porque será, assim. Você vive mantendo meu vício e me consumindo nem querendo isso. E eu te injetando em dozes e substâncias. Quero pegar cada olhar teu e sangrar nos meus órgãos que ainda não apaixonaram por você. Quero pegar o bisturi, cortar o corte da minha alma, coisa tal de fundo quero ser um fundo onde você não vai conhecer.
     Só para ser assim. Você vivo e eu morto. Você vivo ou sem existir. Quero proteger o que há em ar perto de seu ser para poder me machucar. Te provar minha carência, tostar minha resistência. E sofrer de dor até os olhos envesgar. Fazer você chorar por mim. Quebrar teu muro de marfim. Você se arrepender, pelo tempo perdido e chorar por mim.

domingo, 29 de novembro de 2009

Crônica da Loja de Bom-Bons



     Havia uma garota de cabelos longos e negros que estava saindo da academia, ela vestia roupas coladas de ginástica e andava ofegava para sair dali. Ela com a garrafa de água nas mãos se deparou com seu cadarço frouxo e agachou para amarrá-lo. Assim ela fez parar bruscamente um garoto dez anos mais novo do que ela, no corredor para a saída, fazendo-o derramar a garrafa de água dela no chão. Nesse tempo Vitória estava na loja ao lado escolhendo uma caixa de bom-bons para o aniversário de sua mãe.
     O garoto pedindo desculpa a garota vê o quanto ela é bela, e resolve ajudá-la para dali se levantar. Nesse momento há um taxista que atrasado por sair de casa trinta minutos mais tarde, resolve estacionar o carro na frente a academia para tomar um café no bar ao lado da loja de bom-bons onde Vitória estava na fila do caixa para pagar sua compra.
     Ele entra no bar e vendo a cena encaixada das pessoas na fila do caixa da loja de bom-bons resolve dar passos largos para assim poder se deliciar, após o seu café, de um bom-bom de nozes que sempre fora seu gosto predileto. Distraído ele deixa o dinheiro que usaria para tal recurso cair no chão. E eu agora estou passando a chave no portão de casa para ir a loja de bom-bons comprar meu pó cappuccino matinal de chocolate preparado na hora pela vendedora da loja, na sua maquina express.
     Nesse momento Victoria entediada pode observar a moça do estabelecimento arrumar seu embrulho para o presente. A garota de cabelos negros esta agora conversando com o garoto jovem e ambos resolvem ir ao bar comprar uma lata de refrigerante para se refrescarem, já que a água da garota fora derramado pelo garoto. Nesse momento estou saindo de casa pós ter fechado meu portão, e sinto uma pressa enorme para poder tomar meu cappuccino, sentindo estar atrasado para algo.
     Victoria vê os jovens felizes saindo da academia e entrando no bar, pensando neles serem namorados, vê o quanto sua vida estava pacata e sem grassa naquele momento. E o quanto seria bom ter alguém para ser com mais ela, dois. Numa tarde quente entrando em um bar para tomar um refresco e falar abertamente sobre qualquer coisa de namorados. Nessa distração Victoria não vê o taxista entrando na loja, pós ter tomado seu café no bar. Ele pega seus bom-bons rapidamente e tenta paga-los no caixa que agora já estava sem fila.
     E eu posso ver o cenário do outro lado da avenida, olhando para os dois lados me preparando para cruzá-la. Quando Victória já com seu presente tenta sair da loja, só que depara com um taxista sem dinheiro e o vendo revirando os bolsos na porta da loja. Ela não consegue sair, e paciente aguarda-o revirar todos os bolsos de taxistas para assim ele poder desconfiar que não conseguiria pagar seus bom-bons e que ele certamente voltaria para o carro para pegar mais dinheiro.
     Nesse instante os jovens saem do bar com suas latinhas de refrigerantes e me fazem frear após eu ter corrido para atravessar a avenida. Eu mais impaciente, os fito com olhos de quem acabou de acordar e não tomou seu cappuccino ainda. Nesse instante o taxista está alinhado aos dois jovens que na freada começam a acelerar para saírem da minha frente, e respectivamente da porta da loja de bom-bons. O taxista desiste e também sai da porta, abrindo caminho para Victoria sair do estabelecimento.
     Nesse instante os jovens se movem para a minha direita, e o taxista para a minha esquerda. Saem dos céus feixes de sol, após ter vencido a barreira de nuvens, iluminando o caminho que se abria entre eu e Victória. Nós olhando para baixo, vemos o sol tocar nossos pés, ambos de chinelos de fivela. Subindo os olhos em câmera lenta, os dois, eu e Victória, podemos desfocar nossa visão: Eu dos jovens, e ela do taxista.
     É o ápice da lentidão, e nós podemos nos olhar. Ela em mim, eu em ela. Senti oposto em distancia perfeita, nós trocamos todas as informações possíveis na linguagem visual. E sentimos algo que certamente, só sentiríamos naquela vez. E nesse momento eu pude sentir tudo o que nos ocorrera do antes até aquele segundo.
     Se os jovens não se conhecessem através do tombo, e eles não tivessem feito Victoria ver que ela estava sozinha, e solitária. E se o taxista não tivesse saído de atrasado de casa, e não tivesse ido ao bar tomar o café. Logo perdendo o dinheiro, para fazer Victoria esperar na porta da loja. E se os jovens não tivessem me feito parar naquele momento entre eu e Victória, e se eles junto ao taxista não tivesse acelerado em tempos iguais, para assim abrir minha visão para Victoria ao mesmo tempo que ela para mim. Eu não estaria vendo-a, e eu não estaria agora tendo certeza que ela também estava igual a mim. Ambos apaixonados.